E quando todo mundo esperava que O Astro fosse revolucionar a teledramaturgia atual, trazendo de volta o jeito Janete Clair de fazer novelas, as previsões falharam. Registre-se que a história continua encantadora, que é realmente interessante, contudo, se a autora estivesse viva, e tivesse pique para ficar acordada até altas horas da noite, com certeza ligaria para o senhor Roberto Marinho para saber o que estava acontecendo.
O horário
Apesar de ser uma boa aposta da Globo, por ser um momento inexplorado até o momento, e que fazia sucesso no passado, não redeu. Mesmo com pontos a favor, em alguns momentos parece que, na mesma festa, tem show de mágico, brincadeira de palhaços, homenagem da família, apresentação de dança do ventre e, só então, o parabéns. Na terça-feira, primeiro dia da semana em que a novela vai ao ar, o espectador precisa assitir a novela das 20h, Entre Tapas e Beijos e só então o capítulo, que dura algo em torno de 20 minutos.
Os personagens
Justamente por ter pouco tempo, não há espaço para explorar os personagens. Alguém explica porque Márcio Hayalla tirou a roupa? Qual a importância dos irmãos de Salomão, exceto o Samir, para a trama? O que houve com o caso entre Clô e Felipe? Compare a cena original e as razões do herdeiro Hayalla ter tirado a roupa com a que foi ao ar nos primeiros capítulos da trama moderna. (Repasse-a até chegar no Thiago Fragozo, por favor).
O Salomão Hayalla
Alguém avisa o Daniel Filho que o Salomão era repugnante e não cômico? Não há dúvidas da competência dele como diretor, mas em algum momento se perdeu sua veia artística. Um exemplo? Justifique, em três linhas, os motivos para a morte de Salomão.
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Mas nem tudo são pedras a atirar. As interpretações de Regina Duarte, e seu eterno sofrimento com o pescoço pendido para a direita, está ótima. Assim como Carolina Ferraz que, como menina rica, consegue dar razão a fútil Amanda.
Enfim, O Astro é um clássico novelão, em que o ponto alto ainda é os rompimentos de amor, filho perdido que reencontra o pai e traições que chocam e destroem casais e famílias. Coisas que estamos desacostumados a perceber na tramas atuais. Agora o foco é outro, seria uma ótima oportunidade do espectador descansar os olhos e matar a saudade de uma tradicional trama novelística, mas, pelo jeito ficará para uma outra oportunidade.
Por enquanto, vamos cantar "Minha pedra é ametista...", o que de melhor este remake trouxe.




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